
Dá para saber, geralmente, quando se está diante de um momento histórico. Daqueles que você vai lembrar para sempre e que vai fazer parte da retrospectiva na última sexta-feira do ano. Coisa de quem viu, ao vivo, Pedro Bial fazendo passagem em frente à multidão que arrancava pedaços do Muro de Berlim ou de quem pagou ingresso para uma corrida de carros com a família e viu a Williams de Ayrton Senna se espatifar na Tamburello.
Amanhã é a minha vez. A minha e a de todos que estarão no Aberto de Santa Catarina para torcer pela última vez e se emocionar com aquele que fez o improvável, o Guga. Não falo só de títulos. Falo de se levantar a cabeça quando tudo conspira contra e de manter a humildade do tamanho de sua fama.
Ao lado de Senna e Pelé, Guga faz parte da tríade intocável de ídolos brasileiros. Esses heróis que nascem de vez em quando para serem exemplos de sucesso, garra e determinação. Mitos com nome simples, duas sílabas, de pronúncia fácil para a criança e para o adulto em qualquer parte do mundo. A marca de um país diferente de todos os outros, de contrastes, que tornou lendas de igual grandeza o filho do rico, do pobre e da família de classe média. É o símbolo de tudo que o Brasil, na alma do povo, quer.
Contestem ou não, Pelé, Senna e Guga deixaram o esporte no topo daquilo que ele representa. Um foi o melhor no que fez, sem dúvida; outro, um determinado incurável; o terceiro, levou o sorriso, a alegria e a satisfação de poder jogar. Fico com a manchete do jornal francês L`Équipe após o primeiro título de Roland Garros, em 97: “Obrigado pelo sorriso”.
Amanhã, vou ver o Guga fazer história.
Alemonada 1: Thomaz Belucci sentiu a pressão de defender o Brasil pela Copa Davis em casa e com favoritismo. Perdeu a primeira partida para a Colômbia. Mas ainda boto fé no garoto. Não peço nem espero outro Guga. Mas um top 100, 80, 50 – tanto faz a idade em que o tenista alcance isso – ajudaria o esporte a se desenvolver. Quero vê-lo e o João Souza, o Feijão, no Aberto de SC.
Alemonada 2: Se a história da parceria entre Correios e Confederação Brasileira de Tênis se confirmar e for bem trabalhada, teremos aí o mais importante impulso para o tênis desde os primeiros títulos de Guga.
Você viu a última vitória do Guga!!! \o/